Lixão do Roger
(2002)
De abril de 1958 a agosto de 2003, o Lixão do Roger, em João Pessoa (PB), funcionou como principal destino dos resíduos sólidos da cidade.
Durante quase meio século, centenas de famílias garantiram sua subsistência no local, enfrentando condições de extrema insalubridade.
O encerramento das atividades do lixão, em 2003, representou a perda da principal fonte de renda para esses trabalhadores.
Os lixões a céu aberto ainda são um dos problemas sociais e ambientais mais graves do Brasil.
Um retrato da desigualdade no país. Do ponto de vista ambiental, os lixões contaminam o solo, os rios e os lençóis freáticos.
Essa contaminação afeta diretamente a fauna e a flora, além de comprometer o abastecimento de água das comunidades próximas.
Ademais, a decomposição de resíduos orgânicos libera gases de efeito estufa, como o metano, contribuindo para o aquecimento global.
A queima irregular de lixo, prática comum nesses locais, polui o ar e agrava problemas respiratórios.
Há também impactos urbanos e de saúde pública.
A proliferação de insetos, ratos e outros vetores favorece a disseminação de doenças como dengue, leptospirose e diarreias infecciosas.
No campo social, os lixões expõem milhares de pessoas a condições extremas de vulnerabilidade.
Catadores e catadoras, muitas vezes incluindo crianças e idosos, trabalham sem qualquer proteção,
enfrentando riscos de acidentes, doenças infecciosas e intoxicações.
Esses espaços se tornam territórios de exclusão, onde a falta de políticas públicas adequadas reforça ciclos de pobreza,
informalidade e invisibilidade social.
Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos tenha estabelecido o fim dos lixões e a implantação de aterros sanitários e coleta seletiva,
muitos municípios ainda não conseguiram cumprir essas metas, seja por falta de recursos, gestão ineficiente ou ausência de vontade política.
Assim, os lixões a céu aberto não são apenas um problema de lixo: eles revelam falhas estruturais na gestão pública,
injustiça socioambiental e a urgência de encarar o descarte de resíduos como uma questão de direito à dignidade,
à saúde e a um meio ambiente.


























